O murmurinho das coisas era incessante. As coisas falavam alto, depois diminuiam o tom, e as coisas se mexiam sem parar pra lá pra cá e afinal, coisa nenhuma fazia sentido ali.
As coisas derrepente calaram-se, deixando algumas coisas pendentes em suas conversas. Coisa nenhuma se ouvia agora, pois havia chegado a Coisa, a chefe das coisas, a Coisa Mor, a Coisa Mãe.
- Minhas coisas!! As coisas estão ficando complicadas pro lado de vocês. Qualquer coisa que coisarem ou pensarem, eu estarei de olho, à espreita. E uma coisa é certa: serei firme em minhas decisões. Eu sou a Grande Coisa que ordena tudo isso daqui e mando em todas as coisas. Coisinhas, é oque são. Estão irremediavelmente abaixo de mim, e estão proibidos de fazerem qualquer coisa sem a minha permissão!! Ora, podia ouvir o barulho que aqui faziam antes de minha chegada. Vocês não diziam coisa com coisa! Não há coisa alguma na cabeça de vocês! Às vezes sinto uma coisa, um desânimo. Ou melhor, a palavra seria decepção. Vocês me decepcionam com todas essas coisas que fazem, coisando sem eira nem beira! Coisando distraídamente, tolamente. Coisando sem ouvir minhas instruções. As coisas que eu digo não podem ser ignoradas! Ora, que coisa! Por fim, há mais uma coisa que vocês precisam saber: as coisas nunca serão fáceis pra vocês, coisinhas. Acostumem-se com isso.
4 comentários:
pegou o espírito da coisa..
Dia de escola?
Eu ri!!
há mais coisas entre o título e os comentários do que sonha a minha vã filosofia.
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